De protesto a homenagens. Assim foi lembrado o Dia Internacional da
Mulher em Campo Grande. No dia do “cor de rosa”, foi o vermelho do MST
(Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) que chamou a atenção nas ruas
da Capital.
Um grupo de 300 mulheres, vindas de todo Mato Grosso do Sul, participou
da jornada do 8 de Março, data em que sem-terra e trabalhadoras rurais
de todo o país vão às ruas em defesa da reforma agrária.
Na Capital, a passeata foi na avenida Afonso Pena, a partir da
Bandeirantes até o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária), localizado no Centro. Maria de Fátima Vieira, da coordenação
estadual do MST, conta que além do órgão federal, as trabalhadoras
rurais esperam apoio por parte do Estado.
“Pedimos a criação de delegacias da Mulher em mais municípios. Na área
da saúde, queremos a instalação de posto de saúda da família nos
assentamentos”.
Já no Incra, os pedidos foram de apoio para a comercialização dos
produtos produzidos no campo e assistência técnica. Amanhã, a pauta de
solicitações será discutida com a superintendência do Incra.
Dias melhores – “Não tem nada melhor do trabalhar e tirar o
sustento do que você mesmo produz”, afirma Leonice Tibúrcio, de 46 anos,
que já é veterana na jornada realizada no Dia Internacional da Mulher.
Moradora do assentamento Santa Rosa, em Itaquiraí, ela relata que a
produção de alimentos melhorou a situação das famílias. “Dá para tirar
R$ 700, R$ 800 até mil contos por mês. A gente produz mandioca, arroz,
feijão, leite”.
Coragem – Para quem convive diariamente com uma série de perigos,
como incêndios, resgates e cenários dramáticos de acidentes, a data foi
de reconhecimento.
Na manhã de hoje, no Quartel Central, as mulheres do Corpo de Bombeiros
foram homenageadas. Ao todo, a corporação conta com 72 mulheres. Elas
participaram de simulações de incêndio e resgate de vítimas de acidente.
“O bombeiro está sempre presente na vida das pessoas, seja fazendo um
parto ou numa tragédia. Estamos ligados ao lado emocional”, salienta a
capitã Carla Moretti Leite, que entrou para o Corpo de Bombeiros em
1999, no primeiro concurso que ofereceu vaga para oficial do sexo
feminino.
Grávida de 8 meses, ela lembra que a profissão tem um lado relacionado
ao instinto materno. “Se um filho está aflito, ele quer ficar ao lado da
mãe. Quando a população está aflita, busca o Corpo de Bombeiros”.
A soldado Mara Célia Soarez, que também está grávida de 8 meses, conta
que sente orgulho da profissão. “Escolhi a carreira pela credibilidade
da instituição”, relata. Ela é soldado desde 2004, quando foi formada a
primeira turma com a presença de mulheres.
Beleza - Destino das mulheres vítimas de violência, a Deam
(Delegacia da Mulher), na Capital, fez afago na auto-estima feminina,
com dia da beleza e dicas de saúde.
“São cinqüenta atendimentos diários. Sendo a maioria casos de ameaças. A
mulher está mais conscientizada e esclarecida sobre os seus direitos.
Mas é preciso mudar mentalidades e conceitos”, afirma a delegada Lúcia
Falcão.
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